As palavras são andarilhas. Correm o mundo, de boca em boca; algumas são quase esquecidas (até que um dia alguém se lembra de dizer “luzencuzes” em vez de “pirilampos” e a palavra volta de novo a ter vida). Mas também estão sempre a nascer palavras novas que aumentam as línguas. E de vez em quando, os tecelões de palavras, aqueles que têm uma forma única de as combinar, criando encantamento através delas, juntam-se num lugar e, durante dias, conversam sobre os seus ofícios, sobre as palavras. Contam-se histórias e aprende-se a viver. Fazem-se oficinas de tecelagem de palavras nas ruas para que toda a gente as possa experimentar, em gestos que têm tanto de grande como de generoso. Que alcançam todo o mundo porque, primeiro, criaram raízes na sua terra.
De dois em dois anos, Beja é um desses lugares onde se encontram os “artesão do efémero”, os “aprendizes do contar”. E nesses dias, acontece nesta cidade uma magia sem fronteiras e sem descrição possível. É mesmo preciso estar cá. E é um privilégio poder participar, seja de que forma for, em acontecimentos como este.
Começam amanhã as Palavras Andarilhas.